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Os mitos sobre BDSM inspirados por 50 Tons de Cinza

Da noite para o dia “50 Tons de Cinza” tem aguçado o interesse e uma intensa fascinação pelo “BDSM” – sigla para o tipo de atividade sexual que inclui submissão, disciplina, dominação, sadismo e masoquismo.

Eu fico entusiasmada ao ver garotas que nunca tinham tido contato com literatura erótica antes estão lendo agora inspiradas por 50 Tons de Cinza, cativadas pelo erotismo sexualmente poderoso e energizante que os encontros de BDSM podem elucidar. Por outro lado, devido à forma como o BDSM é retratado em 50 Tons, me preocupa que pessoas menos familiarizadas com este tipo de jogo sexual não tenham uma visão exata do que se trata.

Deixe-me explicar melhor: o domínio erótico do BDSM é perfeitamente aceitável para pessoas “normais”, como fantasia. Na verdade, para muitos, o BDSM oferece um grau de intensidade sexual e prazer perverso que é realmente “explosivo.” Quantas pessoas se envolvem em relações sexuais BDSM? Pelo menos metade da população está envolvida com BDSM de uma forma ou de outra.

Um levantamento realizado pela Durex 2005 – Pesquisa Sexual Global – indicou que 20% das pessoas sexualmente ativas se rendem a um “jogo erótico não convencional” com seus parceiros.

Isto inclui, por exemplo, o uso de vendas, máscaras e o comportamento de servidão. Ainda mais interessante é a pesquisa feita pelo Instituto Kinsey que revelou que 55% das mulheres e 50% dos homens obtêm prazer sexual ao vivenciar algum tipo de dor voluntária durante a atividade sexual, com a aplicação de prendedores nos mamilos, uso de açoites, palmatórias, etc.

Se fizermos uma busca na internet usando as palavras “fetiche” ou “BDSM”, provavelmente encontraremos algumas coisas bizarras que deixariam qualquer um horrorizado. O conteúdo da internet é perversamente distorcido pela indústria pornográfica e não representa o tipo de BDSM a que nos referimos. Assim como as atividades sexuais tradicionais, alguns jogos podem funcionar e outros não.

BDSM não tem que incluir dor, de modo algum. Só o fato de uma “submissa” estar ciente de que se encontra “desamparada”, que alguém pode fazer certas coisas para ela e que ela não pode resistir de jeito nenhum pode ser um poderoso afrodisíaco. Na verdade, a renúncia voluntária ao controle é citada como o principal estimulante do BDSM.

As ideias equivocadas mais populares, que eu chamo “A mitologia do BDSM”, impediram muita gente de explorar uma variação sexual surpreendente, altamente criativa, cerebral, sensual, divertida e muito maliciosa. Quem não curte ser um pouco atrevido, de vez em quando? Então, vamos ver os seis mitos mais comuns sobre BDSM e confrontá-los com a verdade.

1: Todos os Dominantes são agressivos: FICÇÃO

O parceiro “dominante” se importa de verdade com o bem estar físico, mental e emocional de sua “submissa”. Ele nunca faria algo perigoso com ela e seu comportamento limita-se sempre ao que sua parceira considere agradável.

“Palavras seguras” são bem ensaiadas antes de começar a diversão, assim a submissa pode pedir que o parceiro pare a qualquer momento. “Vermelho”, “amarelo” e “verde” são as mais frequentes.

Vermelho significa exatamente o que você pensa: “pare agora mesmo porque eu não estou gostando do que você está fazendo (ou, isto é muito intenso, etc)”. Amarelo significa “Eu estou Ok com o que você está fazendo no momento, mas eu posso não querer continuar”.

Verde significa: “Eu realmente gosto muito disso, manda ver!” Sim, ele tem necessidade de controle, mas um verdadeiro dominante sempre equilibra o “controle” sobre a sub com a regra prioritária de garantir a segurança e satisfazer os desejos e necessidades de sua submissa.

2: o Dominante está no Controle: FICÇÃO

O trabalho do dominante é satisfazer as necessidades da submissa – isto é o que dá prazer ao dominante. “Todo bom dominante sabe que o submisso é quem realmente está no controle,” diz Jennifer Hunter.

“Tudo o que uma mulher submissa tem a fazer é relaxar e curtir a viagem enquanto atos sexuais deliciosos são oferecidos a ela, que é a estrela do processo. Alguém a está servindo por suas necessidades, em um tipo de troca. O Mestre está coreografando toda a ação.”

Os casais BDSM podem também optar pela filosofia da Segurança, Saúde e Acordo Consensual, um cuidadoso conjunto de regras que compõem o compromisso sexual em BDSM. O casal negocia antes de iniciar qualquer jogo, assim nada acontece até que esteja tudo previamente acordado.

Em resumo, a pessoa que controla o show é sempre a submissa, nunca o dominante!

3: Dominantes sofreram abusos na infância: FICÇÃO

Christian Grey é retratado como Dominante porque sofreu abuso na infância. Este tipo de trauma apresentado como uma premissa psicológica válida para justificar a prática da dominação não é comprovada.

4: Submissas são fracas e tem baixa autoestima: FICÇÃO

O contrário é a verdade da submissa. Elas abrem mão do controle porque são fortes o suficiente para fazer esta escolha. Somente um individuo corajoso, com o emocional fortalecido pode concordar em se deixar levar e confiar a si mesmo aos cuidados e proteção de um honorável parceiro DOM… que entende totalmente e reconhece o valor do dom da confiança que lhes foi dado.

De acordo com Dra. Laura Berman: “Ser dominado e estar fora do controle pode parecer muito sexy, especialmente se você é alguém que está habitualmente no comando e concilia muitas responsabilidades de uma só vez. Pode ser bastante libertador e erótico abandonar aquelas obrigações e expressar seu lado sexual sem culpas ou pressão.”.

Vamos encarar o fato, depois de um dia longo, gerenciando empregados, tomando todas as decisões, cuidando das crianças, etc., estar no comando pode se tornar cansativo. Uma garota pode gostar mesmo de se render ao controle!

5: Se você curte BDSM seu cérebro não está conectado direito: FICÇÃO

Este é um mito muito comum. A maioria dos dominantes vão falar que suas submissas (frequentemente mencionadas como “clientes”) não poderiam ser mais normais. Elas não foram abusadas quando crianças e grande parte possui nível superior.

Geralmente, elas não usam drogas, são confiantes, seguras, mentalmente estáveis, tendem a exercer cargos de considerável poder e controle em suas vidas. Você pode estar apaixonado, em um relacionamento saudável e, ainda assim, amar BDSM.

Mestra Rikka, uma DOM profissional, compartilha sua visão: “Minha opinião, baseada em anos de experiência jogando profissionalmente, é que por mais inteligente e bem sucedido que um homem ou mulher seja mais propenso estarão para aderir ao BDSM”.

Qual seria o porquê disso? Primeiro, o maior órgão sexual que temos é o cérebro, se você é esperto, as suas fantasias serão muito mais ricas, detalhadas e não convencionais do que o resto das pessoas.

Segundo, se você está em um cargo de controle ou com um alto nível de stress e é dominante o tempo todo no trabalho, dar um tempo ao deixar de ser igualmente dominante no sexo é necessário para equilibrar as coisas. O que não significa que meus clientes queiram ser dominados o tempo todo. “Apenas de vez em quando, nos momentos em que a pressão aumenta muito.”

6: BDSM é fundamentalmente baseada em dor: FICÇÃO

BDSM não é fundamentalmente baseada em dor. Trata-se de uma poderosa troca entre dominante e submisso, o que não necessariamente envolve dor, humilhação ou qualquer outra coisa que faça você se sentir desconfortável.

A razão pela qual a dor leve é considerada um ingrediente popular no BDSM se deve ao fato de que uma quantidade mínima faz a adrenalina bombear nas veias… e de repente o receptor passa a experimentar cada sensação mais intensamente… inclusive o prazer.

Isto quer dizer que o dominante precisa infligir constante dor leve? De jeito nenhum! Você pode não querer nada que tenha a ver com dor, e isso é aceitável. Trata-se de preferência pessoal, e isso é uma coisa que você vai descobrir com o tempo. Você deve esperar por surpresas!

Debby Herbenick, Educadora de Saúde Sexual no Instituto Kinsey e autora do Because It Feels Good (Porque é gostoso), diz que BDSM é um termo que abrange uma grande série de atividades.

“É importante compreender que há muitos jeitos diferentes de se envolver nos jogos de BDSM, desde algemas felpudas que você pode encontrar em sex shops voltadas para o público feminino, até ao mais extremo calabouço sexual,” completa.

“Até mesmo se você está usando apenas um dispositivo, como um açoite, existem muitas maneiras diferentes de jogar. Alguns podem usá-lo para golpear o parceiro enquanto outra pessoa pode usá-lo para realmente açoita-los.”

BDSM pode ser definido como qualquer prática em que o poder de jogo está envolvido. Nestes cenários alguém possui o controle e a outra pessoa oferece seus próprios controles, mesmo que por alguns minutos. Se você só está experimentando um pouco de surra durante o sexo, ou usando uma venda de seda, isso pode ser considerado BDSM. A não ser que você tenha sido sempre vendado e espancado… Você foi? Se não, talvez devesse ser…

A boa notícia é que 50 Tons de Cinza está apresentando as ideias do sexo BDSM para milhões de pessoas, bem como o mundo dos brinquedos eróticos, ideias novas e criativas para interações sexuais. Se você quiser explorar este gênero de verdade, pesquise um pouco mais. Afinal de contas, conhecimento é poder!

Autoria: Ande Lyons.
Fonte/Tradução: Thaís M. Equipe 50 Shades of Grey Brasil.

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Sobre o autor

Alessandra Amaral

Olá, sou Alessandra, criadora da Meus Fetiches, blog que fala de sexo, produtos eróticos e relacionamentos. Acredito que o sexo precisa ser mais explorado, por isso me especializei na área de produtos eróticos para auxiliar homens e mulheres a terem uma vida sexual mais intensa e gostosa.

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